terça-feira, 26 de maio de 2015

"Moscatel Torna Viagem" a bordo do Navio Escola Sagres


A José Maria da Fonseca aproveitou o convite da Marinha Portuguesa e mais uma viagem do Navio Escola Sagres para reeditar o seu famoso Moscatel Torna Viagem.

A 27 de Maio, o Navio Escola Sagres zarpará de Lisboa, numa viagem de cerca de 3 meses com destino aos EUA, passando pelos portos de Filadélfia, New Bedford e Boston, entre outros, levando a bordo um casco com Moscatel Roxo 2014 e dois cascos com Moscatel de Setúbal da mesma colheita da José Maria da Fonseca. O regresso previsto a Lisboa para 1 de Setembro próximo, é aguardado com expectativa pois estes vinhos passarão a linha do Equador, sofrendo a constante ondulação do Navio, bem como a influência das diversas condições meteorológicas pelas quais o Navio irá passar.

Como realça António Soares Franco, presidente do Conselho de Administração da José Maria da Fonseca, “à semelhança de experiências anteriores, espera-se que, à chegada a Portugal, este já famoso vinho da José Maria da Fonseca tenha desenvolvido uma qualidade superior, apresente uma cor mais escura e características totalmente diferentes, que o tornarão facilmente distinguível em provas comparativas com o mesmo vinho que fica a repousar nas nossas Caves em Azeitão”.

A experiência da viagem do Moscatel passando a linha do Equador realizou-se recentemente em 2010, ano em que fez a “Volta ao Mundo” no Navio Escola Sagres, 2007 e em 2000, desta feita por altura da comemoração dos 500 anos do descobrimento do Brasil. Nestas três viagens comprovou-se a qualidade superior do vinho no seu regresso a Portugal, comparativamente aos cascos que permanecem nas adegas da José Maria da Fonseca, apelidados de “testemunhas”.

As três experiências de Torna Viagem da era moderna foram levadas a cabo sobretudo com o objectivo de investigação científica e fazem parte da colecção da empresa. Nenhuma destas edições está prevista que seja comercializada nas próximas décadas, permanecendo este Moscatel de Setúbal único na Casa Museu da José Maria da Fonseca, em Azeitão, podendo ser observadas pelos seus visitantes.

A equipa de Enólogos da José Maria da Fonseca, chefiada por Domingos Soares Franco, afirma que "o Moscatel fica mais redondo e aveludado, menos agreste e bastante mais complexo. Resumindo, transforma-se num vinho único, maravilhoso!".


Torna Viagem: uma experiência centenária

A José Maria da Fonseca descobriu o Torna Viagem há mais de um século. Na época em que navios cruzavam os mares do Mundo fazendo todo o tipo de comércio, era comum levarem à consignação cascos de Moscatel de Setúbal. Os comandantes, que recebiam uma comissão pelo que vendiam, nem sempre os conseguiam comercializar na totalidade. Na volta a Portugal, depois do périplo, em que se submetiam a diversos climas e significativas variações de temperatura, os cascos eram devolvidos à casa mãe. Ao serem abertos, o resultado era quase sempre uma grata surpresa: geralmente o vinho estava bastante melhor do que antes de embarcar. A passagem pelos trópicos, a caminho do Brasil, África ou Índia, quando atravessava por duas vezes a linha do Equador, uma na ida, outra na volta, melhorava a qualidade do Moscatel de Setúbal e conferia-lhe grande complexidade.

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