O Bem e o Mal


No seu mais recente livro "Liquid Memory - Why Wine Matters", o polémico Jonathan Nossiter, realizador do célebre filme "Mondovino", traça um cenário trágico para o mundo dos vinhos, declarando que actualmente o vinho retrata uma batalha entre o BEM e o MAL.

De um lado (do MAL) estão as empresas capitalistas do sector, que apenas se preocupam com as vendas, desvirtuando as características diferenciadoras de cada região. Robert Parker e Jancis Robinson e a publicação Wine Spectator também não saem imunes das críticas, sendo acusados de montarem uma verdadeira cabala de interesses.

Do lado do BEM, estão os produtores que contra tudo e contra todos, favorecem o "terroir" e as características próprias das suas regiões, resultando, na perspectiva deste, na produção de vinhos com personalidade, que fogem às modas e tendências que alguns querem impor aos produtores e ao mercado.

Claro que muitos pensarão que Notissier é um personagem dado aos ideais extremistas, e que as suas ideias são algo exageradas. Apesar disso, estas reflexões não podem ser de todo descartadas. O mundo do vinho mudou muito, e sem dúvida que para melhor, na maioria dos aspectos, mas não podemos esquecer que os vinhos estão hoje mais iguais do que nunca, e que várias regiões, e Portugal é um exemplo, foram parcialmente descaracterizadas, seja ao nível do desparecimento de castas, modos de produção, etc...

Muitos dirão que esta crescente uniformização de vinhos, é consequência da evolução do mercado. Outros dirão que esta teoria é uma falácia, e que o mercado é uma entidade virtual que serve para justificar todos os males. Francamente e apesar de perceber por que alguns acusam Notissier de radicalismo, sinto-me inclinado a concordar com muitas das suas ideias. Por outro lado se a uniformização dos vinhos é mesmo uma realidade, então abrem-se janelas de oportunidades para quem quiser ser DIFERENTE.

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