Diferenciação pela Preservação


Ao ler o editorial da autoria de Luís Ramos Lopes, na Revista de Vinhos (Outubro), que se intitula "O Elogio da Diferença", ocorreu-me a declaração expressa na Revista Wine, e também numa palestra na CVRD, em que tive a oportunidade de estar presente, do jornalista norte-americano Paul White, que considera existir um potencial muito interessante, e uma oportunidade de mercado, para os vinhos provenientes de vinhas velhas, co-fermentados com várias castas.

Num mercado a transbordar de vinhos e marcas, a única via possível para afirmar uma marca no mercado, passa pela diferenciação do produto (no seu todo). Deste modo tanto Luís Ramos Lopes, como Paul White têm toda a razão. De acordo com Luís Ramos Lopes "outro caminho para chegar à diferença, ainda mais raro entre nós, é fazer o que já ninguém faz". Esta declaração vem de encontro à necessidade expressa por Paul White de preservar as vinhas antigas, tão características de Portugal, em que a variedade de castas (algumas delas já nem existem, e são irrecuperáveis) se encontravam misturadas numa mesma parcela, sendo vinificadas em conjunto.

Felizmente ainda há quem lute pela diferença, e o vinho que apresentamos mostra que a preservação das vinhas velhas além de ser uma questão moral, pode também ser um forte argumento comercial.

Lua Nova em Vinhas Velhas 2008, é um vinho produzido a partir de (como o nome indica) vinhas velhas, com mais de 23 castas. A vindima é feita 100% manual, e a fermentação decorreu em lagares de granito com pisa a pé e em ânforas de inox.

Só pelo argumento da preservação dá vontade de comprar ! Já agora e sem qualquer tipo de interesse comercial, encontra-se à venda na Enoteca.

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