Governo francês com nova campanha: ‘Não beba vinho’


A indústria vitivinícola francesa está novamente em “guerra” com o Governo, depois do executivo de Sarkozy ter avançado com uma campanha: parar de beber vinho em conjunto.

O Ministério da Saúde gaulês publicou directrizes que desencoraja “o consumo de álcool, especialmente, vinho”.

Este apelo vem na sequência de descobertas da INCA, o instituto nacional francês do cancro, que referem que o consumo de somente uma pequena quantidade de álcool pode aumentar os riscos de cancro na boca e garganta em 168%.

O presidente da INCA, Dominique Maraninchi, referiu recentemente à imprensa francesa que “pequenas quantidades de álcool diárias são as mais prejudiciais para a saúde. Não existe uma quantidade definida, por mais pequenas que seja, que seja benéfica para a saúde”.

A mesma entidade também revelou que as carnes vermelhas, charcutaria e sal aumentam os riscos de cancro do colo do útero em 29%.

Roger Corder, professor da terapêuticas experimentais no William Harvey Research Institute, em Londres, autor de diversos livros, como “The Wine Diet”, e reconhecido perito em questões de saúde e benefícios do vinho, já veio revelar-se “surpreendido” pela relatório do INCA.

“O relatório não é baseado em estatísticas francesas, mas em dados estatísticos de todo o mundo, cobrindo todas as bebidas alcoólicas, e não só vinho”, revelou Corder ao decanter.com, adiantando que é “errado basear avisos de saúde governamentais nestes estudos que contêm falhas do ponto de vista analítico, risco ou padrões de consumo para diferentes bebidas alcoólicas e que ao mesmo tempo excluem factores como subnutrição ou tabaco”.

Citando diversos estudos relacionados com os benefícios no consumo de vinho, Corder referiu ainda que “é a primeira vez que vejo tanto disparate sobre os riscos relativamente ao consumo moderado de vinho provenientes de uma organização que deveria saber a importância de basear aviso no campo da saúde em análises estatísticas que consideram riscos globais”.

Como seria de esperar, o lobby do vinho em França reagiu a esta campanha, referindo a APGV (a Associação Geral dos Produtores de Vinho) que “a perseguição ao vinho tem de parar. Somos favoráveis a um consumo moderado e responsável. Não nos interessa ver os nossos consumidores morrer de cancro”, admitiu um responsável da associação.

in "hipersuper"

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